Por Amanda Lira
Especial para o Trem Para Fazer

Monumental. Talvez, essa seja a palavra perfeita para definir a estreia da rainha do samba no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, na quinta-feira (29). A apresentação de Alcione, com seu vocal poderoso e seu carisma admirável, coroou uma majestade que, com a bagagem de seus 45 anos de carreira, não perdeu o samba no pé.

“Você é a Angela Maria dos nossos tempos”. A frase, proferida por Cauby Peixoto, foi relembrada por Alcione no palco. Lisonjeada, a cantora não deixou de fazer jus ao elogio. Intercalando os clássicos de sua trajetória às canções de seu álbum mais recente, “Alcione Boleros”, a cantora exibiu toda a autoconfiança que as sete décadas de vida lhe puderam propiciar. Segura de si, como já era esperado, a eterna Marrom envolveu cada canção com um papo tão aconchegante que quase converteu o imponente teatro em uma mesa de bar. Divagando por entre temas, ela falou sobre seu emagrecimento “forçado”, sua solteirice convicta e sua amizade com Emílio Santiago, a quem reverenciou em diversos momentos.

Para a grande expectativa do público, foi quase uma hora e meia depois do início do show que o samba apareceu de fato, sob o estandarte de “Não Deixe o Samba Morrer”. Com um requebrado tímido, Marrom degustou, durante toda a apresentação, cada uma das palavras interpretadas, evidenciando sua satisfação em estar presente no local. “Sou feliz porque tenho a Deus e faço o que amo. E as pessoas ainda me pagam por isso”, brincou a artista, que aproveitou o espaço para anunciar o início de uma turnê internacional de dez dias, em setembro, passando por países como Itália, Alemanha e Suíça.

Enquanto no palco uma estrela reluzia, na plateia, algumas atitudes ofuscaram o brilho do espetáculo. Além da incompreensível frieza de parte dos presentes, os gritos de “linda” e “eu te amo” ultrapassaram a euforia inicial e chegaram a incomodar Alcione. A cantora que, até certo ponto, reservou-se a agradecer os elogios, depois de certo momento precisou intervir: “A cantora já está no palco, gente”.

No que cabia à Alcione, apenas um único ponto negativo: o gostinho de “quero mais” deixado  quando a cantora, apesar dos pedidos do público, não retornou ao palco após o show para cantar “Sufoco” e “Depois do Prazer”, que, desta vez, ficaram fora do repertório. Mas tudo bem! Aproveitamos a deixa para já cobrar o próximo encontro.

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