Amanda Lira
Especial para o Trem Para Fazer

Belas composições, vozes inigualáveis e muito carisma. A junção desses atributos resume o espetáculo protagonizado no último fim de semana por Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, no KM de Vantagem Hall, em Belo Horizonte. A apresentação, uma verdadeira ode ao Nordeste, celebrou os 20 anos do projeto “Grande Encontro”, que retornou aos palcos brasileiros.

Em um espetáculo de cores e ritmos, o trio subiu ao palco enérgico e empolgado. E, como era de se esperar, conquistou o público já em sua “Anunciação”, interpretada conjuntamente. A partir daí, o repertório foi construído de forma a representar a trajetória de cada um dos integrantes do projeto. “A escolha foi natural. Cada artista escolheu sua parte solo e decidimos as partes em comum”, contou Azevedo, que ficou responsável pela primeira parte do show, na qual entoou novas canções e clássicos de sua carreira, como “Dona da Minha Cabeça” e “Moça Bonita”.

Terminada a contribuição de Azevedo, foi a vez de Elba Ramalho e toda sua presença de palco. Reverenciando Zé Ramalho, que no passado fez parte do projeto, mas agora “não pôde ou não quis participar”, segundo a própria cantora, a paraibana transitou por entre forrós dançantes e canções mais plácidas. Gonzaguinha, cantor e compositor falecido em 1991, também foi interpretado por ela.

Em um dos momentos mais emocionantes, Elba interpretou a composição “Dia Branco”, de Geraldo Azevedo, com a sensibilidade e a expressividade características de sua carreira. A amizade entre Azevedo e Elba, inclusive, foi tema de uma conversa descontraída sob o palco, onde ambos relembraram o início da carreira musical da cantora e a contribuição do compositor para sua discografia. “Hoje, ela é mais cantora que atriz”, disse ele, citando que a conheceu em um espetáculo teatral na qual era responsável pela trilha.

Os momentos finais do espetáculo ficaram por conta de Alceu que, com os clássicos “La Belle de Jour” e “Tropicana”, pôde se dar ao privilégio de assistir ao belo coro da plateia. Ao fim, os três encerraram o espetáculo embarcando no “Táxi Lunar”, mais uma composição de Zé Ramalho, que, mesmo ausente, fez-se consagrado.

Do encontro entre os amigos aqui na capital mineira, além da admiração dos espectadores, ficou o discurso enfático em defesa da preservação da Amazônia, o calor dos laços dentro e fora de palco e a reverência de sempre às raízes nordestinas, como fez questão de destacar Geraldo Azevedo: “Apesar de ter saído do nordeste há mais de 40 anos, o nordeste nunca saiu de mim. Tenho muito orgulho das minhas raízes e faço questão de mantê-las. ​O nordeste está sempre presente nas minhas composições, seja por meio das letras, ou das referências melódicas”.

Depois da volta desse espetáculo, de fato, o nordeste ecoa com vigor dentro de cada um de nós, povo brasileiro!

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