Quando for avô, se é que eu serei avô um dia, contarei para meus netos que vi e ouvi o eterno Beatles Paul McCartney ao vivo, no Estádio do Mineirão lotado e tão bonito quanto num clássico entre meu Cruzeiro e o Atlético. E mais do que explicar para ele o quanto os versos “It’s been a hard day’s night, and I’ve been workin’ like a dog” fizeram, fazem e farão sentido neste planeta, direi que fiquei cara a cara com um músico completo: talento, poesia e militância.

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Relatarei para o pequeno ser, que ainda não tem motivos pelo qual cantar em alto e bom som “love, love me do”, o quanto o dia 17 de outubro de 2017 ainda está fresco na memória, como famílias inteiras reuniram-se para ver o espetáculo “One on One” e que, apesar da crise e da instabilidade financeira do Brasil da época, as pessoas não intimidaram-se em pagar de R$ 175 a R$ 850 nos ingressos, em gastar a faixa de R$ 50 com estacionamento e em beber latas de cerveja quase 300% mais cara do que o valor de mercado. Pelo menos a cerveja não era lero-lero!

Mostrarei para ele, caso as redes sociais, que atualmente nos obrigam a ver partes de qual seja o espetáculo musical pela pequena tela dos celulares, não tenham caído no esquecimento, o vídeo em que esquerdistas e direitistas, mais de 50 mil pessoas num mesmo local, entoaram o “na, na na na na na, na na na”, da canção “Hey, Jude”. E, claro, falarei que, apesar do Paul ter saído do palco para um gole d’água ou qualquer que seja o motivo, a plateia continuou a entoar o derradeiro verso da canção num coral emocionado — um louvor aos Beatles!

Não sei qual será a realidade do Planeta Terra quando meus netos chegarem ao mundo e indagarem como era a vida no passado. Só sei que falarei com orgulho que, num país onde se mata várias pessoas por conta da orientação sexual, Paul McCartney, na companhia de excelentes músicos e durante quase três horas de show, com direito a frases em português e a uma reboladinha, levou para o palco a bandeira da luta LGBT, falou sobre humanidade e, em seu envolvente piano, discorreu sobre o amor, interpretando “maybe I’m amazed at the way you help me sing my song”.

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