1. A indicação de “A Forma da Água” ao título de Melhor Filme é contraditória. O longa-metragem é bonitinho por demais, é verdade! Não restam dúvidas quanto à sua fofura! No entanto, tratando-se de arte — filme que ultrapassa o limite do mais puro entretenimento —, a obra do mexicano Guillermo Del Toro não merece o prêmio mais importante do cinema. Deslize não cometido por seu principal rival na categoria, o bem-temperado “Três Anúncios Para um Crime”. Não acredita nisso? Vejamos…

2. No centro da fábula de Del Toro, a jovem Elisa (Sally Hawkins), que é muda e bastante solitária, apaixona-se pelo “monstro do pântano”, capturado por militares cruéis. Esse romance passa-se nos anos 60, auge da Guerra Fria, quando a comunidade em defesa dos animais não tinha tanta notoriedade quanto hoje para combater experimentos com seres vivos. A zeladora do laboratório onde o “bichano” está acorrentado, ao perceber a beleza interior dele, passa a nutrir um amor platônico pelo prisioneiro e a planejar sua fuga, já que a ordem da chefia é assassiná-lo. Percebeu alguma contradição? Difícil, né?!

Confira o trailer de “A Forma da Água”

3. Observe que a história não é nada grandiosa. E já que o enredo é “OK”, o que fez “A Forma da Água” ter 13 indicações ao Oscar 2018? Seu visual! O visual do longa-metragem é impecável e, sim, merece os títulos de Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte, mas, cá entre nós, o de Melhor Atriz tem mesmo que ser entregue para Frances McDormand, de “Três Anúncios Para um Crime”, e o de Melhor Roteiro para “Corra”, que é genial!

4. Ainda sobre a beleza estética de “A Forma da Água”, tudo no filme parece voltar às origens do cinema, em que os cenários destoam do mundo real, em que as luzes levam os olhos para uma outra dimensão e em que os personagens parecem saltar dos livros e das revistas em quadrinhos. A protagonista Elisa, por exemplo, poderia muito bem ter sido desenhada pelo crítico Joe Sacco, mas foi criada por Guillermo Del Toro.

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5. Diferentemente de Guillermo Del Toro, que deixa claro desde o início de “A Forma da Água” qual é a trama central, sigo sem escrever nitidamente qual é a contradição da indicação do filme ao título de melhor do ano. Pois bem, é a influência do visual! O longa desconstrói o valor que a sociedade dá para a aparência e o preconceito recorrente diante das diferenças — esse contexto fica evidente quando Elisa (Sally Hawkins) explica para seu vizinho que ela, mesmo sem proferir uma só palavra, consegue comunicar-se e viver normalmente, semelhante ao “monstro do pântano” —, mas tem na aparência sua força para ser agraciado com o importante prêmio cinematográfico.

6. Por fim, “A Forma da Água”, ainda em cartaz em algumas salas da Rede Cineart, fisgou a academia e os críticos de plantão. Todo mundo dizendo que este é o melhor filme do ano. Insisto em dizer que, apesar de toda perfeição estética, essa chancela é contraditória e, com isso, caso o Oscar de Melhor Filme do Oscar 2018 seja entregue, será um prêmio bastante contraditório. Você discorda?

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