Quinta-feira, dia 19 de julho, às oito horas da noite. Toda quinta-feira é dia de estreia nos cinemas de todo o país tupiniquim. No entanto, nada do que havia chegado às salas de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, chamou a minha atenção. A solução? Pegar um ingresso e, enfim, assistir “Os incríveis 2”, animação que demorou 14 anos para ter um segundo capítulo, apesar do fôlego presente desde 2004, quando foi lançada. E, olha só, fiquei bastante satisfeito com a escolha da semana!

‘JURASSIC WORLD” SEGUE EM CARTAZ

O ritmo da continuação, ainda sob o comando do diretor Brad Bird, é o mesmo apresentado na primeira parte. Nada de diferente! Violeta segue excêntrica, Flecha ainda é o pentelho, Mulher Elástica é o porto seguro da família, e Sr. Incrível acredita ser o melhor de todos. A novidade, em relação ao elenco, é o pequeno Zezé, que agora mostra diversos dos seus poderes e ainda é o destaque da derradeira batalha.

Para além da diversão em família, pois o longa-metragem é voltado para baixinhos e grandinhos, o filme “Os Incríveis 2” é um verdadeiro soco na cara da sociedade — e um soco, pensa bem, do Sr. Incrível. Isso porque a animação traz à tona alguns debates contemporâneos e ainda deixa claro uma certa postura anarquista diante das leis. Não, não estou ficando louco! Eu explico!

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Desta vez, a Mulher Elástica é o centro das atenções. Além de ser escolhida para um projeto que tem como foco a descriminalização da função de herói, ela é mostrada — e vista pelos figurantes do longa-metragem — como referência feminina. Toda a áurea em volta dela mostra o empoderamento da mulher no mundo atual e a representatividade do gênero em uma sociedade que, finalmente, passa pela desconstrução do machismo.

Já o Sr. Incrível, após ser coadjuvante no projeto de descriminalização, precisa lidar com a criação dos filhos: alimentação, tarefas escolares, troca de fralda, sentimentos amorosos e, claro, com a realidade de um lar. Esse enredo, especificamente, puxa a orelha dos pais, que, na maioria das vezes, não reconhecem o peso das inúmeras funções executadas por uma mulher como esposa, mãe e profissional. Os pais de fim de semana, sem sombra de dúvidas, estão inseridos neste contexto. Afinal, muitos deles se acham incríveis, mas, ao ficarem cara-a-cara com a rotina, percebem que criar um filho, trabalhar e ainda amar é muito mais do que ser só um “cara legal”.

“Os Incríveis 2” ainda debate algumas escolhas sociais. Por exemplo, a Mulher Elástica topa fazer parte de um projeto ilegal para assim tentar mudar a lei que a criminaliza. A atitude anárquica, em tempos de controle absoluto do Estado, é uma das últimas alternativas para se mudar a realidade. O filme ainda pontua a dominação da tecnologia sobre as pessoas. O grande vilão da história, a propósito, é um hipnotizador que utiliza de telas diante dos olhos para ter total controle sobre cada um dos indivíduos. Qualquer relação com a realidade não é mera coincidência, queridos e queridas!

Por fim, como boa parte das animações da Pixar, “Os Incríveis 2” deixa ainda mais claro o poder do trabalho em conjunto, a importância das relações pessoais, a relevância do convívio familiar e por aí vai! Se eu fosse você, corria para a sala de cinema mais próxima para conferir com seus próprios olhos essa maravilha de 2018.

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