Denise Almeida tem 29 anos e atua como consultora pedagógica de um sistema de ensino. Quando fez o Enem, em meados de 2006, a prova não tinha o mesmo peso que tem atualmente. “Ele ganhou muito mais força a partir de 2009”, conta ela, que obteve nota suficiente para conquistar uma bolsa de estudos na Uni BH para o curso de matemática. “Eu só não fui porque passei na seleção da UFMG”, explica.

O texto que você vai ler daqui para frente, no entanto, não é sobre a crescente na vida de Denise, que começou a carreira como professora de matemática, mas sim sobre a maneira que ela encontrou para motivar os estudantes que fizeram a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no fim de semana passado e que, neste domingo, dia 11, vão se debruçar em um novo calhamaço de perguntas e respostas.

Logo após o resultado das eleições presidenciais, no dia 28 de outubro, a consultora pedagógica sentiu a necessidade de apoiar os estudantes de alguma maneira. “Ao ver a necessidade deles de ter um apoio e receber uma injeção de ânimo final, pensei nessa ação. Foi realmente uma doação de carinho”, conta Denise, que, no domingo, dia 4, na companhia de alguns amigos, foi para a porta de uma universidade distribuir abraços — no melhor estilo “Free Hugs” —, lanchinhos e canetas pretas de tubo transparente. “A minha atuação profissional foi diretamente na sala de aula e sei muito bem o que é essa vivência dos meninos no período da prova”, completa.

“Minha ideia era ter um momento com esses estudantes
para dizer palavras de motivação e que acredito neles.”

Com a ideia na cabeça, Denise procurou alguns amigos próximos. Amigos que ela sabia que topariam a empreitada! A articulação, então, teve início em um grupo de WhatsApp, onde todos os convocados tiveram voz ativa. “A galera abraçou a ideia, veio até a minha casa confeccionar os cartazes e deu a sugestão de levarmos lanchinhos. Foi aí que fizemos uma vaquinha e compramos canetas pretas, barras de cereais, chocolates e biscoitos”, relata ela, acrescentando que haviam pessoas no grupo que, além de apoiarem o ato, também foram avaliados no exame nacional.

Com tudo preparado, Denise Almeida, Thaís Mannoni, Joyce Campos, Marlon, Bárbara Almeida, Theysse Assunção e Tabata Oliveira levantaram cedo, pegaram seus cartazes, lanchinhos e canetas, foram para a porta da Puc Barreiro, armaram a barraquinha e começaram a missão: motivar os estudantes que, em alguns minutos, fariam uma das provas mais importantes de suas vidas. “Essa experiência foi magnífica e quem recebeu (o ato de carinho) deu retorno”, garante a consultora. Segundo ela, teve estudante que “agradeceu e disse: “eu precisava desse abraço”. Outros, que não passaram pelo grupo, “vieram até nós buscar esse abraço porque estavam nervosos”, conta.

“Teve grupos que nos procurou, pois o amigo estava muito
nervoso e precisava de um abraço.”

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Pós ato, segundo Denise, alguns estudantes a procurou nas redes sociais. E o retorno não poderia ser melhor, principalmente pela equipe reunida ter entregue um bocado de carinho sem esperar nada em troca. “Recebi muitos agradecimentos e mensagens como ‘você salvou a minha vida nesse dia’, ‘você não tem noção do que foi aquele abraço para mim’ e ‘esse foi o único abraço de boa sorte que recebi'”, revela.

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Disseminação

Acreditando na força do coletivo e que o amor é capaz de transformar, Denise, assim como seus parceiros de abraços, divulgou nas redes sociais o ato e não titubeou em atender o blog Trem Para Fazer para um bate-papo. “A minha intenção em divulgar é incentivar as pessoas a fazerem isso. E, se não houver a possibilidade de estar com o meu grupo, que elas possam se organizar com seus amigos e em suas cidades, diz.

“Quem sabe não tornamos essa ação algo generalizado, tendo
esse ato de amor e carinho em vários pontos do país?”

E o que não faltou, desde que o ato veio à tona, foram mensagens de incentivo. “Várias pessoas nos procuraram para participar”, relata Denise, que, ao lado dos seus velhos e novos companheiros, seguirá neste domingo, dia 11, para a porta da Puc Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, distribuir mais abraços.

“Todo mundo está convidado para participar. Quem quiser entrar em contato, me procure no Instagram (clique aqui). Se não puder estar no local, mas puder ajudar na vaquinha, pode fazer transferência, doar biscoitos, barras de cereais, chocolates — da maneira que achar melhor”, garante ela, que, faça chuva ou faça sol, estará de braços abertos para mais uma série de abraços.

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